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Uma subida até ao alto do Trigal 

(um autêntico miradouro natural) 


                                                                                              
   Apresento o jovem casal de 6 meses de vida que me acompanham até ao alto do Trigal: O Óscar e a Mara, dois belos cães Rotweiller, que apesar de serem mamíferos da raça canídeo  possuem aptidões natas que são para o ser humano motivo de reflexão:

-Amáveis e aprazíveis; afectuosos e obedientes, disponíveis para a brincadeira e trabalho.

-Valentes, atentos e duros para qualquer estímulo desagradável, todavia com nervos firmes.

-Destemidos e com espírito de luta e protecção, resistindo todavia sem medo a experiências dolorosas. Passando à luta contudo, perante uma ameaça.

-Muito apegados à casa e quintal com desenvolvido instinto de guarda, mas sem paixão pela caça.

-Por natureza não são vingativo, contudo dóceis.
A zona do Trigal dista uns bons quinze minutos a pé da aldeia de Vila da Ponte, pelo caminho da Quinta da Pereira, sempre a subir, mas vale a pena conhecer esta pequena parcela do território de Sernancelhe.
É um espaço essencialmente granítico, salpicado de pinheiros, e com um panorama esplêndido sobre uma grande parcela do vale acolchoado de altares de granito e que vai da zona da Quinta de S. Roque até aos limites do Seixo.

Desfruta-se também um lindo panorama de toda a aldeia de Ferreirim, zona da Cardia e os principais terrenos férteis envolventes.

Considero-me razoavelmente conhecedor duma boa proporção da zona florestal de Sernancelhe, e por conseguinte poderei constatar, que me situo num dos locais mais férteis em espaços naturais, mais enquadrados com granito no estado confeccionado  pela natureza, embora aqui e ali se observem alguns frutos milenares da erosão natural e que mais embelezam o local.
Observamos grandes retalhos contínuos deste mineral, que prolifera por todo o perímetro do concelho e é um símbolo de referência  e caracterização nacional dumas das regiões denominadas "Terras do granito".

É o granito a principal matéria prima que ao longo de séculos tem servido para a construção dos lares de habitação e as reconhecidas obras tão imponentes e tão sumptuosas que simbolizam a alma, os valores e a história do concelho: saliento os pelourinhos, os mosteiros, os solares, etc. 

O espaço onde me situo, possui o granito, sem a intervenção e imaginação humana, mas autenticado com grandiosos retalhos artísticos esculpidos pela erosão da da natureza e, ao olho despercebido até parece ser uma continuidade da manipulação artística da mão humana.

 

Considerando a altura do ano em que as fotografias anexadas ao texto foram obtidas, Dezembro, visualizam-se todos os maciços graníticos impregnados de musgos e fungos coabitando com ele, assemelhando-se a uma autêntica flora saprófita, oferecendo uma diversidade de colorações ora acinzentada, ora esverdeada ou rosada, entoando a todo o espaço e floresta que alastra por todo o vale, uma verdadeira solenidade mágica.

Todo este maciço granítico que também delimita o vale que vais de S. Roque ao Seixo, parece igualmente fechá-lo no tempo.

Lá mais em baixo, na solidão da floresta e prados que a vista pode alcançar, corre uma ribeira de águas translúcidas.   
Enfrentando tal panorama a alma do espectador vai sentir-se recuada nos séculos, diante de tal paisagem bela e solitária, sendo de admitir que haja grandes modificações desde o período pré-histórico.

 É na verdade uma zona com duros e arrojados remessos de penedia, oferecendo a cada metro de percurso sugestões de pujança selvagem e ordinária.
Pena é que, quando programo estes percursos às Quintas e Domingos, ouve-se tiroteio por todo o lado, que em algumas zonas mais parece que estamos num verdadeiro campo de batalha.

São os caçadores, alguns por vezes, a atirar para tudo que sinaliza vida e movimento, com cartuchadas às mais pequenas aves, transmitindo a todo o cenário do local, não a filosofia do desportivismo da da caça natural, mas sim o esvaziamento de stress das suas vidas através do tiroteio intempestivo e inconsciente!!!
Ou então ódio e revolta mesmo à própria natureza?...

 Esta montagem concebida por Deus tem de ser protegida pelo encanto, serenidade e dignidade dum autêntico altar da posse, clímax e sedução para os sentidos.

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