| Os problemas agravaram-se com a revolta de
17 de junho
de 1953. Insatisfeitos com o aumento excessivo das normas de produção para
os trabalhadores, os operários uniram-se em protesto. Manifestação
reprimida brutalmente pelos tanques soviéticos, o que gerou revolta e
protestos não apenas em Berlim, mas em toda a Alemanha. |
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| Em 1958, Kruchev faz
uma tentativa, no sentido de tornar Berlim uma cidade livre,
com os aliados abandonando o lugar. Três anos depois, Kennedy reafirmou as
condições fundamentais que regem a atitude ocidental em relação a Berlim:
direito da presença aliada, direito de acesso e direito dos berlinenses
decidirem o próprio destino. O desencontro dos pontos de vista era cada vez
mais agudo. A situação complicava-se, o êxodo de habitantes da RDA era cada
dia maior. Entre 1949 e 1961, dois milhões e meio de pessoas tinham passado
para Berlim Oeste e para a RFA. |
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| Havia problemas insolúveis: pessoas que
tinham crescido e estudado (escola grátis no regime socialista) no lado
oriental; que ali moravam e gozavam dos benefícios de casa e alimentação
mais barata, da assistência social (medicina gratuita); e que, no
entanto, iam trabalhar no lado ocidental e ali gastar as suas economias.
Ou seja, o lado oriental formava gente que após o curso dava a
mão-de-obra para o ocidente, enquanto a RDA sentia sua falta. Para não se falar no "contrabando".
Os que compravam comida do lado oriental e iam vender no ocidental. A
situação chegou a um ponto insustentável, agravado pela hostilidade franca
entre norte-americanos e soviéticos. Em Agosto de 1961, na célebre noite de
12 para 13, a Polícia do Povo colocou-se na linha que marcava a
fronteira entre Berlim oriental e Berlim Ocidental, erguendo cercas de arame farpado e muros
muito rapidamente por milhares de operários. Consumava-se a divisão.
Surgiu o muro. A Alemanha foi traumatizada, e o mundo recebeu com impacto a
notícia. |
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Durante quase dois anos e meio o muro conservou-se fechado e ninguém
atravessava. A partir de 1963, a guerra fria atenuou-se: era o começo da
détente. O muro abriu-se. Novas negociações. Concessão aqui, ganho ali.
O telefone foi novamente ligado entre os dois lados. Conversações ampliaram-se,
chegando à década de setenta, com uma decisão final (?) que é a de hoje:
Berlim funcionando como uma espécie de entidade autónoma. Tipo principado.
Desligado da RFA. Ao mesmo tempo, dependendo dela, em subvenções, subsídios,
financiamentos. Outra perplexidade. Não era de admirar pois ali o
anormal é normal. Os berlinenses não têm direito a um passaporte da RFA.
Viajam pelo mundo apenas com sua identidade pessoal, que é especial. O jovem
berlinense é isento do serviço militar. Não há exército alemão em Berlim, o
que torna a cidade atractiva aos jovens. E ela precisa deles, porque sua
população está envelhecida. Berlim elege deputados ao Parlamento, mas
seus votos não podem ser contabilizados para a adopção de leis na RFA ou para
escolha do Chanceler.
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Uns o chamam de "o muro da vergonha", muito utilizado para a propaganda
do sistema capitalista.
Há quem dissesse que se os russos não erguessem o
muro, os norte-americanos fá-lo-iam; convinha. Basta dar uma
espreitadela no Museu do Muro, à saída do Checkpoint Charlie.
Está tudo
lá, conservado: os balões, os mini-submarinos, os carros adaptados, as
ferramentas com que abriram túneis, enfim as centenas de expedientes usados
pelos que atravessaram o muro, por cima, ou por baixo. O museu é uma
autêntica amostra da criatividade humana, por vezes em circunstâncias
difíceis.
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O homem
inventa, procura orientar-se, escapa. Quem não está contente e atingiu limites
insuportáveis, procura tentar a fuga. Daí a surpresa, às vezes, dos sistemas
totalitários quando vão além da tensão suportável.
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O muro foi chamado o "maior muro para grafites do mundo". Ao
longo dos seus 165 quilómetros de extensão (sendo 46 directamente com Berlim
Leste), era possível encontrar todo tipo de inscrições, desde as políticas até as
poéticas, declarações líricas de amor até o concretismo (...). Desde
desenhos, flores, rostos, muitas portas falsas, escadas. Ali estavam os símbolos dos
anarquistas (um A dentro de um círculo, com a perna direita do A em forma de
flecha e saindo para fora do círculo), a suástica nazista, ou o círculo com
um raio atravessando para cima, logotipo usado pelo pessoal que ocupa casas
(Squatters). Há inscrições em turco, inglês, italiano (Um muro é bello
quando dura poco), espanhol.
Na verdade existiam dois muros. Entre os dois, um espaço estéril, plantado
por obstáculos de concreto, esteiras de pregos pontiagudos, um sistema de
filamentos que accionava foguetes de alarme, uma via afastada para os veículos
de segurança, e as guaritas, a cada cem metros, de onde os soldados vigiavam
constantemente com os binóculos assestados para o lado ocidental. Em Berlim
poderiam dizer que naqueles binóculos existiam câmaras fotográficas. Assim
fosse, a RDA seria a maior consumidora de filmes do mundo. Também se dizia que neste espaço o campo
era minado. Parece que afinal não as havia.
Com a Perestroica e o fim da URSS, terminou o império Russo, houve a
reunificação da Alemanha e o fim do muro de Berlim em 1989. |
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