O Muro de Berlim - Um muro
edificado pelo
homem dividindo uma monumental cidade ao meio. Fruto de discórdias da
história, que dividiu famílias, amigos e uma sociedade bem
implementada há séculos. Metade da cidade
encontrava-se sob a influência ocidental com a democracia livre Europeia mas
fechada em quatro paredes; a outra parte, vítima da influência
soviética, a violar os valores culturais, a qualidade de vida e liberdade
de quem por lá teve de ficar.
Hoje graças ao desmoronamento da URSS, houve no início da década de 90 a
reunificação alemã, e Berlin voltou a ser uma cidade una. |
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| Muro, tão controverso; porquê? Acusações partem dos dois
poderes mais influentes após o fim da 2ª guerra: Estados Unidos e
Rússia. Em 1945, os quatro aliados decidiram de comum acordo a
divisão quadripartida de Berlim, levando em conta sua importância histórica
e o símbolo que representava para o povo alemão. Afirma-se que os soviéticos
não assinaram os acordos muito a gosto. Afinal, Berlim estava inteiramente
dentro do seu território, e deveria ser deles sem grandes discussões. |
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Os acertos nunca foram fáceis, as arestas sempre
existiram e à medida que os norte-americanos começaram a
distanciar-se, os problemas complicaram-se. Após a vitória, os
russos procederam de imediato à desmontagem de mais de quatrocentas
fábricas, procurando reconstituir no seu país o potencial
industrial, altamente danificado com a guerra. Setenta por cento das
empresas localizadas em Berlim foram "exportadas", ocasionando um
primeiro atrito entre EUA e URSS. Esta, por sua vez, acusou o seu
aliado de não cumprir com rigor o acordo de desmilitarização da
Alemanha, o que também era verdade. Os Norte-americanos não andavam
tão interessados nisso, todavia com perspectivas futuristas. Em
1947, delineiam-se fortemente os contornos da guerra fria.
O esquema era: as potências ocidentais tinham medo da crescente
influência soviética na Europa e necessitavam de um
aliado leal para se opor a isso. Uma troca: a América ajudaria a
Alemanha na reconstituição, e a Alemanha auxiliaria a América a conter o
comunismo. O plano Marshall derramou milhões de
dólares nas zonas de ocupação inglesa, francesa e norte-americana, mais
tarde território da RFA. |
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Em 1948, os três aliados fizeram uma reforma
monetária nos seus territórios, visando incluir a Alemanha ao sistema económico ocidental. Era a separação. A reacção soviética não se fez esperar.
Retiraram-se do comando aliado de Berlim e bloquearam a cidade por terra,
além de cortarem todo o suprimento de electricidade. Única ligação possível:
via aérea. |
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| Os historiadores acreditam que desde este
instante Berlim tornou-se
definitivamente dividida. Até então, esta divisão era abstracta. Sabia-se que
se passava dum sector para outro, do mesmo modo
que, em Lisboa, se notam as diferenças do sul e do norte. A
tensão cresceu. Com o bloqueio, os aliados ocidentais tiveram que
estabelecer então uma ponte aérea para abastecer e manter a cidade. Operação fantástica:
durante 322 dias foram realizados 277.728 vôos que transportaram 1 milhão e
600 mil toneladas de alimentos. A cada 24 horas, subiam ou aterravam 1344
aviões, na média de 1 a cada minuto. Um dos reflexos deste bloqueio é que até
hoje existe em Berlim Oeste uma reserva permanente de alimentos, para serem
utilizados em situação de emergência. A reserva é renovado de tempos em
tempos e o mais velho é vendido à população a preços de saldo. |
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Levantado o
bloqueio, quase um ano depois, já havia duas cidades. As ligações
telefónicas foram cortadas. Mais tarde, em 1953, as linhas de metro
e transporte público mudaram. Os passageiros iam até aos limites das zonas de ocupação,
desciam, tomavam outra condução, alguns quarteirões à frente. Os veículos
particulares viviam sob intenso controle. Só quem andava a pé podia
circular livremente.
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