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A construção da ponte que une as duas Freguesias e Concelhos em Ponte do Abade possui feição românico-gótica, foi reconstruída e alargada no século XIX, pelo desejo e interesse do abade de Sernancelhe, que tendo a amiga do lado de Aguiar, mandara construir a ponte para poder transitar em visita à santa da sua devoção. Pena é que o povo da altura não tenha aposto as mãos à organização de homenagem condigna à “amiga do abade” ou então um monumento em memória da mesma personalidade.
O domínio de Sernancelhe estende-se ao longo da margem direita do Távora.

Num contexto de vigência cistercience, o abade do Mosteiro de São Pedro das Águias, por procuração do abade de Salzedas, outorgou na escritura que ordenava a edificação de uma ponte.
E os motivos são da ordem de comunicações, trânsito, transportes… A denominação exacta fica por conta da subjectividade de cada um.

O período histórico de então, correspondia a uma necessidade de dotar de condições aceitáveis para o tempo, as carreiras de Guarda e Celorico da Beira para Lamego e Salzedas por um lado, e para Viseu, por outro. 

Ponte do Abade, na zona de Sernancelhe, está servida por uma linda capelinha edificada à beira do Távora, dedicada a Nossa Senhora do Amparo. A sua escultura, dadas as características mórficas, insinua a Senhora do Ó ou da Expectação, figura pré-natal, e originou a   festividade que localmente se celebra no dia 18 de Dezembro.

 
 Mas no verão, habitualmente no segundo Domingo de Agosto celebram-se fulgurantes festas populares revestidas de religiosidade, som e cor – motivo para o reencontro dos filhos da terra, que a vida tornou dispersos, e para a afluência massiva de forasteiros de muitas proveniências.

Tal como Berlim, e após a divisão da cidade pelo muro, famílias e valores culturais seculares, ficaram divididos por 2 dois regimes políticos e religiosos, com filosofias totalmente opostas, divergentes e conflituosas.
Na zona oeste existia o mundo livre, ocidental e democrático; no território leste, a imposição do regime comunista, totalitário, opressivo e militarizado. Mas algo existia de comum nos dois povos separados pelo apelidado "muro da vergonha": a mesma alma, famílias separadas e a cultura e valores acumulados ao longo de séculos que caracterizavam a Alemanha antes desta barreira de betão.

 Na Ponte do Abade, o muro foi a barreira natural do Távora e as defeituosas divisões administrativas de outrora.
Na actualidade observamos uma nítida e próspera simbiose compartilhada por ambos os lados:
-A Escola primária de todos situa-se na freguesia de Sequeiros; a pré-primária na freguesia de Sernancelhe.
-O culto religioso centraliza-se na nova Igreja, sita no território de Sernancelhe
-Ultimamente o Cemitério, na freguesia de Sernancelhe, começa a ser compartilhado pela população do outro lado da Ponte.
Parece que, apesar da divisão por dois distritos, dois concelhos, duas freguesias, duas paróquias e duas comarcas, existe algo que une o povo dos dois lados tal como em Berlim: a alma e os mesmos valores culturais.
A Ponte do Távora corresponde ao único elo físico que une ambas as freguesias.
Checkpoint, em Berlin era o elo físico, que unia um número restrito de famílias ( embora sob rigoroso controle),a que era permitido transitar de Berlim Ocidental para Berlim Oriental, e vice versa.

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