O Falecido Entrudo
Numa simulação puramente real, vemos o falecido Entrudo, num
verdadeiro caixão, rodeado de flores, visitado pelos populares, num
cerimónia tão verdadeira, que transmite um espectáculo, e ao memo tempo
de medo, nostalgia, terror, e também riso, pelas palhaçadas que alguns
espectadores intervenientes no "aparatoso acto fúnebre" vão mostrando e
dissertando. Vivem-se momentos de discursos afectivos ao falecido sobre
as suas qualidade em vida.
É interessante: na figura de cima um familiar chora, lastima-se do
ente querido. Se estivesse num real cenário de teatro, era aplaudido por
toda a plateia pela simulação real de toda a sua mímica e palavras.
Depois vemos as carpideiras aos gritos a chorar, num profundo
estado de choque e histeria...
A procissão de pessoas que também podemos observar, lança o seu último
olhar ao desgraçado e atira um pouco da água "des-benta", para que lhe
sejam perdoados os pecados.
Outros mais em baixo, já muito carregados com o álcool, visto que o
espectáculo dura há horas, e já se excederam demasiado com a bebida,
gritam, choram, simulam o desmaio, deitam-se ao lado do falecido,
enfim... não há palavras...
Provavelmente estas atitudes populares correspondem ao alívio do stress,
às dificuldade da vida, acumuladas ao longo da monotonia dos dias e dias
de trabalho sempre iguais...
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